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PRÉMIOS ESTORIL SOL

O senhor d `Além” de Teresa Veiga venceu a 25ª edição.

fernando namora

Teresa Veiga (pseudónimo literário) nasceu em Lisboa onde reside. Licenciou-se em Direito em 1968 e em Filologia Românica em 1980, tendo exercido a actividade de conservadora do Registo Civil entre 1975 e 1983, em diversas localidades do Alentejo e do Algarve, onde viveu vários anos. Foi ainda professora e assinou com este oito livros, entre volumes de contos, novelas e romances.

Em pouco tempo, Teresa Veiga conquistou a critica especializada, que realçou o seu “notável domínio narrativo”. Foi, entretanto, distinguida com vários prémios literários, designadamente, como contista, modalidade na qual obteve uma assinalável notoriedade.

Em acta, o Júri encontrou no romance vencedor “O senhor d`Além” uma “escrita límpida e luminosa” que nos dá “uma cativante estória de gente simultaneamente comum e singular. A sobriedade estilística da autora, exemplar enquanto modo de entender a escrita artística, estrutura um romance cuja legibilidade chama o leitor a participar na própria narrativa que está a ler. Quer pela notável capacidade de observar e descrever, quer pela tranquila inventividade, quer pela admirável economia da narrativa.

Para o Júri, “O senhor d’Além” é “um romance que constitui um elogio à arte de bem escrever. Assinalar a sua importância no quadro da literatura portuguesa actual é, por isso, a validação do seu intrínseco valor”.

Por seu lado, sobre o romance premiado, diz Teresa Veiga que “quando comecei a escrever " O senhor d`Além" ainda não tinha um plano definido, mas já sabia que iria desenvolver-se à volta de dois pontos fundamentais: a descoberta por alguém de um lugar no Algarve que eu há muito conhecia e amava, e uma certa casa, entrevista da estrada, que por algum motivo despertara em mim uma ressonância particular”.

“E foi assim, à volta desta casa e daquele homem, que a história se foi construindo, personagens e situações surgindo quase como uma inevitabilidade”.
“Poderia este livro chamar-se "A Casa das Palmeiras" e também seria um título adequado. Afinal são a casa e o senhor d`Além que abrem o livro e determinam o seu desfecho”.
“Foi um livro escrito com especial prazer por obedecer a uma motivação muito forte”.



Recorde-se que Teresa Veiga é a única escritora portuguesa que, até 2020, recebeu três vezes o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco.  Apesar dos prémios e da consagração da sua obra de qualidade, a escritora é reservada e avara a intervenções públicas e não costuma conceder entrevistas. Sabe-se, inclusive, que já esteve em lançamentos de livros seus, mas sem que o público soubesse de quem se tratava.

É considerada por isso, uma autora “misteriosa”, que desperta a curiosidade dos leitores interessados em ir mais longe no conhecimento do perfil da ficcionista.

Teresa Veiga publicou o seu primeiro livro em 1981 – “Jacobo e Outras Histórias” – e logo foi notada pela excepcionalidade do seu texto.

O Júri, salientou, ainda, outros romances concorrentes, constando da lista de finalistas votados, as obras de José Luís Peixoto, “Almoço de Domingo”; de José Gardeazabal, “Quarentena Uma História de Amor”; de Hugo Gonçalves, “Deus Pátria Família”; de  Djaimilia Pereira de Almeida, “Maremoto”; e de Amadeu Lopes Sabino, “Tempo de Fuga”.

Agustina bassa luis

Sobre “A guerra prometida”, o júri, ao qual presidiu Guilherme D`Oliveira Martins, considerou tratar-se de “um romance que, partindo da inovadora ação empresarial e social de Francisco Grandella, constrói uma estória familiar e pessoal de grande alcance humano. O período de transição do seculo XlX para o século XX até à Primeira Grande Guerra Mundial é sinalizado por situações de pobreza que vão determinar a evolução do protagonista”.

De acordo ainda com a acta, o romance “é não só de época, mas, também, de significado psicológico e social”, recorrendo a uma linguagem que está “num nível criativo que, associada à original estrutura narrativa de quatro partes, dá a esta obra um protagonismo literário assinalável do que poderá ser considerado um novo realismo”.

Marco Pacheco, o autor, retrata-se como um “açoriano de várias ilhas”.
E explica: “nasci em São Jorge poucos meses depois do 25 de Abril, mas vivi também na Terceira e em São Miguel, antes de vir estudar para Lisboa, onde vivo hoje na freguesia de Campolide. Joguei futebol nos escalões secundários nacionais, com uma meteórica passagem pelos juvenis do Sporting, em ambos os casos com assinalável insucesso. Por via desse desgosto e do gosto pelas letras, tornei-me redator publicitário e encontrei assim uma maneira de viver da escrita. Hoje sou Diretor Criativo Executivo da agência de publicidade BBDO, onde escrevo histórias para marcas, vulgo anúncios”.

Sobre o livro, Marco Pacheco diz que estão lá “alguns assuntos que, em graus diferentes, me fascinam: a temeridade da adolescência, a fé (mais ou menos religiosa) e, sobretudo, a morte. A morte não apenas como fatalidade, mistério ou escapatória, mas também como objetivo, como ideal, como redenção. Uma ideia muito cristã e um pouco radical que precisava de uma época também ela de radicalismos, como foi a da Primeira República Portuguesa”.

O autor de “A guerra prometida” confessa ainda que que foi nesse tempo que “encontrei os extremismos políticos e religiosos (entre monárquicos e republicanos), mas também o otimismo (da chegada da República) e o medo (da Primeira Grande Guerra), que me ajudaram a construir e a justificar a história de um rapaz com obsessões e sonhos um pouco mais estranhos do que o habitual para a sua idade”.

E concluiu com ironia: “Outra razão para escolher um período histórico sobre o qual nada sabia foi a minha vontade (quiçá juvenil) de contrariar o conselho que mais ouvi enquanto romancista aspirante: escreve sobre o que sabes”.

Vasco Graça Moura

Em homenagem à memória de Vasco Graça Moura, um dos mais notáveis e versáteis protagonistas da vida cultural portuguesa, a Estoril Sol, institui um Prémio especial com o seu nome, consagrado à Cidadania Cultural.

O Prémio Vasco Graça Moura visa distinguir um escritor, ensaísta, poeta, jornalista, tradutor ou produtor cultural que ao longo da carreira ‑ ou através de uma intervenção novadora e de excepcional importância ‑, haja contribuído para dignificar e projectar no espaço público o sector a que pertença.

Ao promover este Prémio no valor de €20.000, a Estoril Sol assume a convicção de que a sua natureza e abrangência serão o justo reconhecimento pela obra de Vasco Graça Moura, e pela sua profícua e invulgar polivalência criativa.

Consulte o regulamento aqui.

Casino-Estoril-Premios-cerimonia

EM CERIMÓNIA SOLENE, NO PASSADO DIA 23 DE NOVEMBRO, O MINISTRO DA CULTURA, PEDRO ADÃO E SILVA, ENTREGOU OS PRÉMIOS LITERÁRIOS FERNANDO NAMORA E AGUSTINA BESSA‑LUIS, INSTITUÍDOS PELA ESTORIL SOL, E REFERENTES A 2021.



O Júri deliberou atribuir o Prémio Literário Fernando Namora, com o valor pecuniário de 15 mil euros, ao escritor João Tordo pelo romance “Felicidade”.

Em acta ficou registado que “Felicidade” “é um romance de formação emocional e afectiva de um homem constituído em narrador, embora sem nome que o identifique ao longo do livro. O dramatismo de solidão do narrador e protagonista de romance assume grande intensidade e poder de envolvência no leitor. Também a engrenagem se situa num plano de realização preciso mas criativo. Os nomes das três figuras femininas, Felicidade, Esperança e Angélica, projetam um simbolismo que expande o próprio processo imaginativo”.



Por sua vez, em relação ao Prémio Literário Revelação Agustina Bessa‑Luís, com o valor de 10 mil euros, o Júri distinguiu a jornalista Catarina Gomes com a obra original “Terrinhas”. 

Ao eleger “Terrinhas”, o júri considerou tratar‑se de “um romance que, a partir do ponto de vista de uma mulher tipicamente citadina, coloca em confronto o mundo rural e o mundo urbano. A memória dos pais, que quase religiosamente vão à terra para trazer batatas, as quais invadem a cozinha e o imaginário da narradora, fornece a visão irónica e, por vezes, mesmo hilariante, com que esta avalia a infância e enfrenta dores e dramas da idade adulta. A alegria e a comovente ternura na avaliação da vida e da morte, associadas a uma escrita fluida e elegante, dão a este romance, um indiscutível alcance literário, que importa valorizar e divulgar”.



Finalmente, o Prémio Vasco Graça Moura ‑ Cidadania Cultural, o Júri entendeu distinguir o editor Zeferino Coelho, enaltecendo a “ação desenvolvida, ao longo de mais de cinquenta anos, como editor e ativo promotor da literatura e da cultura da língua portuguesa no mundo”.

Na acta do Júri lê‑se que Zeferino Coelho “iniciou o seu trabalho como editor em 1969 na Editorial Inova, onde esteve até ao ano de 1971, tendo em 1977 entrado para a Editorial Caminho. Foi editor de José Saramago, desde o romance Levantado do Chão e todos os outros livros publicados, até à sua morte, pelo Prémio Nobel da Literatura portuguesa. Foi ainda editor de oito vencedores do Prémio Camões, o mais importante da nossa língua ‑ por ordem cronológica da sua atribuição: José Craveirinha, o próprio Saramago, Sophia de Mello Breyner, Luandino Vieira, Arménio Vieira, Mia Couto, Germano Almeida e Paulina Chiziane. Só por si, este conjunto de autores editados, entre muitos mais, por Zeferino Coelho, demonstra bem a importância da intervenção cultural do premiado, em especial no tocante à difusão nacional e internacional da literatura de língua portuguesa”.